MEU AMIGO FERRADO – 04/26
1.
Eu e Angélica tínhamos um relacionamento destrutivo de
ambas as partes. Ela com suas desventuras e instabilidades emocionais, em que
cada dia era uma surpresa. Eu com o início do meu alcoolismo, que me levava a
tomar doses cavalares de bebida praticamente todos os dias. Existia algo que
conseguia nos manter juntos apesar de todas as brigas, mas nem eu e nem ela
sabíamos o que. Amor? Acho que não, acho que não era amor. Acho que era muito
mais a nossa vontade de não estar com as nossas famílias. Tanto ela quanto eu
tínhamos relações bem problemáticas com nossos progenitores, e isso com certeza
contribuía para a instabilidade do nosso relacionamento. Isso sem contar a
idade, ambos com menos de vinte anos. E nesse cenário todo, juntamos forças
(financeiramente falando) e fomos morar com uma amiga do trabalho dela.
Alugamos uma casa com dois quartos e nos planejamos que nossa grana pudesse dar
conta do recado e pagar as contas. Todos ganhávamos um pouco acima do salário
mínimo da época. Nossa decisão foi tomada impulsivamente, como toda decisão
tomada por jovens.
Eu e Angélica estávamos no trem indo trabalhar, quando
ela me perguntou:
- Vamos morar juntos?
- Vamos. – Respondi sem pensar nem por um segundo.
Não pensamos em nada ali na hora, tomamos a decisão e
depois vimos que financeiramente seria inviável. Alguns dias depois, Angélica
me falou sobre a amiga.
- O nome dela é Vanessa, ela trabalha comigo e tem uns
vinte anos. É de confiança, vai pagar a parte dela certinho. Tá cansada dessa
vida de transporte coletivo lotado, tanto quanto nós.
- Pode ser. – Respondi novamente sem pensar nem por um
segundo.
Nos organizamos e ficamos um bom tempo procurando a
casa, cerca de meses. Assim que achamos e alugamos, eu dei a noticia para minha
mãe. No dia seguinte, contratamos o carreto e fomos. No início foi muito
difícil, a gente não tinha mobília e não tínhamos dinheiro guardado para isso.
Também não tínhamos cartão de crédito, e nem nome forte o bastante para
parcelar as coisas no boleto. Começamos com o básico, e o clima era bem
harmonioso dentro do possível. Passávamos praticamente todo nosso tempo ocioso
juntos, nós três. Quando dava, íamos ao cinema, ao shopping, ao teatro, ao
parque e outros lugares. Quando não tínhamos que trabalhar ou estudar, já que nós
três fazíamos isso.
Que fique bem claro aqui, entre mim e Vanessa nunca
aconteceu nada. Eu estava apaixonado demais por Angélica e não estava disposto
a colocar tudo em risco. Além disso, eu bebia muito, o que ocupava bastante meu
tempo. Sempre pensei que mulher em dobro significava problema em dobro, e anos
mais tarde provei a mim mesmo que estava certo nisso. E claro, Vanessa tinha um
bom caráter e nunca se aproximou de mim de maneira errada. Inclusive, eu e
Angélica torcíamos para que Vanessa arrumasse um namorado.
Certo dia conversamos sobre esse assunto, num
restaurante japonês perto de casa que íamos quando a empresa nos dava algum
tipo de “bonificação”, ou quando pagava miséria pelas nossas horas extras.
- O Ferreira é bonitinho, devia dar uma chance pra
ele. – Angélica disse.
- Quem é esse? – Perguntei.
- Um menino lá do trabalho. – Vanessa respondeu.
- Ele é ótimo, amor. – Angélica resumiu – Trabalha com
a gente no mesmo horário e eu sei que tá de olho na Vanessa, só é meio devagar
coitado.
- Chamam ele de “Ferrado”, pra você ter uma ideia da
peça, Carlos.
- Isso aí é intriga do pessoal, ele é gente boa. Você
devia chamar ele pra sair. – Angélica incentivou.
- Eu!? – Vanessa disse, abismada.
- Claro. – Eu disse – Hoje em dia a mulher tá com
liberdade pra isso, se o cara é lerdo você devia fazer a aproximação.
- E se ele pensar que sou uma qualquer?
- Aí significa que ele não serve pra você e vai ser
até melhor. – Eu conclui.
Passados alguns dias dessa conversa, Vanessa disse que
sairia com Ferreira. Eles acabaram se relacionando e obviamente ele acabou
sendo levado por ela em casa. Gostei do rapaz logo de início. Era um rapaz
magro, com seus vinte anos, cabelo curtinho e orelhas grandes. A face sem pelo
nenhum, dentes levemente tortos. Posso dizer que eu não era muito diferente
daquilo, o que gerou uma identificação imediata. Sempre que ele ia em casa, a
gente servia umas doses de vodka pra mim e umas latinhas de cerveja para ele, e
ficávamos no quintal conversando até tarde. Os assuntos giravam em torno de
música e literatura. Ele era muito fã de filosofia grega, já eu preferia os
pessimistas alemães do século 19. Na música, ambos gostávamos de metal pesado,
principalmente thrash metal. E nisso nossos assuntos pareciam de alguma forma,
infinitos. Incentivava sempre que Vanessa o levasse em casa e estava tudo bem,
até o momento que eu resolvi variar um pouco da nossa programação tradicional.
2.
Era uma quinta feira quando liguei pro Ferreira, cerca
de oito da noite.
- E aí Ferrado, beleza?
- Beleza, e você Carlos?
- Beleza. Escuta aqui, vamos fazer um piãozinho
diferente sábado?
- Pra onde?
- Vai ter show de uma banda, Exercito Radioativo.
- Não conheço. – Ele disse com desdém.
- Mano, é thrash dos bons, conheci num blog aí, já
escutei tudo deles.
- Tudo quanto?
- Tem um disco só hahaha.
- Parece que tem história a banda ein hahaha.
- Deixa de ser corno, vamo logo.
- E onde vai ser?
- Centro velho, no meio da urina e da merda dos
moradores de rua, do jeito que a gente gosta. Aí a gente bebe bastante antes,
pra chegar lá no jeito.
- Beleza. Mas e as meninas?
- Que meninas? – Perguntei sem lembrar das namoradas.
- Porra Carlos, que meninas? As assistentes de palco
do Faustão. Porra, é claro que é a Angélica e a Vanessa.
- Que tem elas?
- Elas vão embaçar na nossa.
- Azar o delas, elas ficam aqui, uma faz companhia pra
outra.
- Tudo bem, se der merda eu coloco no seu cu a culpa.
- Pode colocar.
- Certo, te encontro no metrô então?
- Isso, metrô Republica umas oito horas. Eu saio do
trampo às sete, mas te espero, sei que você só consegue chegar depois das oito
que seu trampo vai até mais tarde.
- Fechou mano, estarei lá.
Sexta e sábado foi o mesmo sofrimento de sempre.
Faculdade e trabalho. Pelo menos domingo estaria de folga e poderia passar o
dia todo de ressaca reclamando da vida. Nisso eu era bom, reclamei da vida
minha vida toda. Eu tentaria beber pouco pra não ficar muito bêbado na segunda
feira de manhã. Eu sabia que estava apenas mentindo novamente para mim, e possivelmente
chegaria bêbado na faculdade segunda feira de manhã. Mas eu não tava nem aí. Já
tava me questionando se era aquela faculdade mesmo que eu queria. Pensando
seriamente em simplesmente parar de ir sem dar explicação alguma pra ninguém. O
problema de desistir era jogar todos os anos já investidos no lixo, então faria
um esforço pra chegar até o final e pegar o meu diploma. O maldito pedaço de
papel que define que você será pro resto da sua vida. Que tipo de sociedade é
construída na ideia de que aos dezoito anos você tem que tirar sua reservista
do exército e tomar a decisão com o que irá trabalhar o resto dos seus dias?
Que tipo de pessoa com dezoito anos tem absoluta certeza de qual emprego quer
ter o resto da vida? Talvez crianças ricas e superdotadas com aconselhamento feito
por profissionais capacitados desde a época das fraldas, mas não os meros
mortais como eu, Ferrado, Angélica e Vanessa. Éramos aventureiros, mas não
tínhamos certeza de nada. Eu sabia que a qualquer momento tudo aquilo poderia
desmoronar. Eu teria que pensar em alguma coisa novamente. Pra que perder meu
tempo fazendo uma faculdade que eu nem gostava? Só porque eu já tava bem longe?
Por outro lado, pensar em trabalhar num subemprego o resto da vida também me
assustava. Passar necessidade sempre, vender o almoço pra comprar a janta, não
ter condições de comprar um carro, ou uma casa. Mal eu sabia que a ladeira de
lá, pra cá, só ia piorar. Economicamente, tudo piorava. Estava ruim antes, e ia
ficar ruim depois. E pior depois. Essa era a ordem natural das coisas: pessoas
no topo controlando tudo para que as pessoas do fundo não tenham chance alguma.
E por isso o álcool tomando conta cada vez mais da
minha vida. Era uma forma que eu tinha de lidar com esses tipos de pensamentos
negativos sem enlouquecer por completo. A bebida me levava para fora da
realidade como poucas coisas faziam. Bebida e literatura. Mas nessa época pouca
literatura. Estava ocupado demais tentando sobreviver.
3.
Chegado o dia do show, eu fui na direção da estação
esperar pelo Ferrado. Estava na catraca esperando por ele. Assim que ele
chegou, demos um abraço.
- Vamos? – Eu disse.
- Bora.
Saímos da estação e as ruas estavam numa agitação
desgraçada. Lotadas de bêbados e pessoas desorientadas. Tão ou mais perdidas
quanto eu. Ótimo.
Paramos num bar que eu costumava ir na região. Era um
bar bem mais simples do que a maioria, cadeiras e mesas de plástico, banheiro
sem porta e urinol enferrujado. Mas as bebidas eram baratas, e por isso eu ia
nele. Nunca me interessou a “qualidade” do bar, mas sim o preço das bebidas e
os garçons, que não enchessem o saco demais.
- Escuta aqui Carlos, o que você disse pras meninas? A
Vanessa passou o dia todo seca comigo.
- Eu disse a verdade, que a gente ia num show no
centro.
- Eu também disse.
- Isso é normal mano, elas ficam chateadas, mas depois
as coisas se resolvem.
- Se resolvem como?
- Sozinhas, sem ação direta nossa. Dá um tempo pra
elas. – Eu ponderei.
- Você é maluco. E se elas ficarem bravas?
- Vão fazer o que? Terminar com a gente?
- Isso. Elas vão chutar a gente. – Ferrado disse bem
apreensivo.
- Vão nada, eu comprei uns DVDs pra elas assistirem
hoje. Promoção, 3 por 10.
- Uau ein, parabéns por pensar nelas, Carlos, estou
até mais tranquilo agora. – Ferrado disse ironicamente.
- Até parece que a gente veio aqui atrás de rabo de
saia, elas sabem que somos fiéis. Só somos dois adultos querendo esquecer da
merda de vida que temos. Isso é querer muito?
Ferrado ficou um tempo em silêncio bebendo sua
cerveja. Eu aproveitei e bebi em dois goles minha vodka, pedindo outra dose na
sequência.
- Já já Angelica te liga. – Ferrado disse preocupado.
- Ela pode ligar o quanto quiser, bebê. – Mostrei meu
celular pra ele, desligado dentro do meu bolso direito.
Ferrado soltou uma gargalhada sincera e disse
novamente que eu era maluco.
- E o trampo, como foi? – Perguntei.
- A mesma merda de sempre, estou preocupado, tão
mandando muita gente embora.
- Relaxa, se der ruim você arruma outro.
- Pois é, no fim das contas a gente não serve de nada
pra eles.
- Somos apenas um tijolinho na parede. – Encerrei,
fazendo referência a uma famosa banda britânica.
Ficamos bastante tempo por ali bebendo. O show iria
começar somente às 23h. Ferrado somente nas cervejas, eu nas vodkas. Decidi ir
bem devagar depois que pedi a terceira dose, precisava estar minimamente bem
para assistir ao show, não queria estragar por qualquer motivo que fosse. Eu
genuinamente me interessava pelo som dos caras.
Ainda no bar, Ferrado puxou um cigarrinho de maconha,
acendeu, puxou uma tragada e me deu. Eu dei uma tragada e devolvi.
- Para de fumar isso, cara, isso acaba com seu
cérebro. – Eu disse.
- Relaxa mano, não faz mais mal do que a bebida.
- Nem vem com esse papinho de natureba pra cima de
mim, eu sei que isso aí tem mais química que um cigarro normal. Agora entendo
por que tu é lesado.
- Eu não sou lesado.
- E eu não sou bêbado.
Ambos rimos.
- Não enche, Carlos. E outra, se é tão ruim, porque
fumou?
- Sei lá, tô na vibe de usar o que aparecer pela
frente, que se foda.
Quando faltavam trinta minutos para as onze da noite,
fomos em direção ao local do show. Era uma rua bem escura, com uma portinha bem
pequena que dava acesso a um galpão bem abafado, que apesar da recente lei que
proibia cigarro em lugar fechado, lá era permitido. Quase todos fumavam. A
ventilação era escassa. Tinha um balcão com uma moça bem gata tatuada e um
rapaz grandão careca também tatuado servindo bebidas. Fui primeiramente lá,
claro, e pedi uma dose de vodka nacional. Ferrado pegou uma long neck de cerveja.
Continuamos bebendo até a banda entrar no palco para começar a passar o som e
fazer os ajustes finais.
Exercito Radioativo era uma banda de moleques como
nós, que se uniram pra fazer um som. Diferente da gente, eles estavam correndo
atrás dos seus sonhos. A gente era só mais uma peça na engrenagem, e éramos
covardes demais pra tentar alguma coisa diferente disso. Viver o sonho? Muito
difícil. Poucos tem a coragem e/ou a oportunidade de viver de verdade.
Geralmente se arruma um emprego, se cresce na empresa e quando a gente pisca,
já se passaram vinte anos. No nosso tempo livre, a gente se ocupa com o que realmente
nos apaixona. Mas boa parte do tempo somos forçados a fazer o mínimo para poder
sobreviver.
Que maravilha. Eu bêbado, com um show prestes a
começar me perdendo em pensamentos dessa laia.
O telefone de Ferrado tocou, era Vanessa. Não consegui
ouvir o que ela disse, portanto vou relatar somente o que ele disse, aliás, o
que ele gritou por causa do barulho:
- SIM, O CARLOS ESTÁ COMIGO... O TELEFONE DELE? ACHO
QUE DEU PAU, SEI LÁ... ESTAMOS AQUI NO LUGAR DO SHOW... BEBER? BEBEMOS POUCO,
FICA TRANQUILA... AVISA ELA QUE ELE TÁ BEM... ISSO, TÁ DE PÉ AINDA, NÃO CAIU E
NEM TIROU A ROUPA, ESTOU CUIDANDO DELE... TÁ BOM, BOA NOITE AÍ PRA VOCÊS.
Assim que ele desligou o telefone, começamos a rir.
- Acho que sua mulher tá te procurando, mano. –
Ferrado disse.
- Aparentemente sim. E não confia nem que tô de pé,
minha fama não está nada boa hahaha.
- Pois é, precisa melhorar sua reputação.
Dei risada e voltei meu olhar pro palco. O show estava
prestes a começar.
Assim que eles tocaram as três primeiras músicas, eles
pararam o show pra começar um falatório. Nunca entendi banda ficar fazendo
falatório, se fosse pra ouvir falar eu ia numa palestra, não num show.
- Escuta aqui, pessoal. – O vocalista começou. – Na
próxima música a gente fala de uma coisa que vocês gostam MUITO! Não, não é
mulher não, porra, é melhor! É cachaça, caralho!
Nisso a plateia entrou em êxtase, todos gritaram
inclusive eu.
- E pensando nisso a gente trouxe uma surpresinha pra
vocês. Pode pedir pras moças entrarem.
Entraram duas moças com roupas de couro extremamente
curtas e coladas, carregando uma caixa de papelão cada uma. Na caixa, estava
escrito em letras grandes “VODKA”. As moças colocaram as caixas no chão e
saíram do palco. O vocalista as abriu e começou a tirar várias garrafas de
plástico de uma vodka que parecia ser de péssima qualidade, e a distribuir pra
todos que estavam na plateia.
- Galera, esse é o nosso presente pra vocês, bebam um
gole e passem pro lado.
Começaram a tocar uma música que abertamente
incentivava o consumo abusivo de álcool, que aliás era uma das minhas
preferidas. A garrafa foi passando por todo mundo, quase todos davam uma golada
curta e passavam rapidamente, quando chegou até mim, eu dei cinco goladas
grandes em sequência, tomando praticamente um quarto do conteúdo total da
garrafa. Fiz a mesma coisa com as outras garrafas que foram passando, e
enquanto a banda tocava, comecei a ficar bem tonto. Não me lembro qual foi a
última musica que eles tocaram, mas eu sei que assisti boa parte do show sem
maiores problemas.
4.
Quando retomei a mim, estava na estação de metrô
vomitando dentro de um cesto de lixo. Ferrado estava me segurando pra que eu
não caísse.
- Seu amigo está bem? Precisa de uma água? – Um
funcionário da estação perguntou para Ferrado.
- Ele está ótimo, seu guarda, obrigado.
Parei de vomitar por um momento e perguntei as horas
pro Ferrado. Quase uma da manhã. Puta merda. Precisávamos ir embora dali, e
logo.
Chegamos na estação de metrô mais próxima e fomos
andando até em casa. No caminho, ruas escuras e vazias. Aproveitei pra mijar
num canto isolado de alguma esquina perdida. Quando chegamos, Vanessa e
Angelica dormiam. Eu fiz o máximo para fazer o mínimo de barulho possível.
Angélica acordou, brava, como sempre.
- Puta merda, mas de novo?
- Relaxa Angélica, estou bem. – Respondi.
- Não, você não tá bem. Tá todo dia nessa merda de
garrafa.
- Bebi um pouco a mais, mas já passei vomitei e tô
melhor. Preciso só deitar agora, amanhã tô cem por cento, eu prometo.
Nisso, Ferrado, que estava melhor do que eu, foi para
o quarto de Vanessa e fechou a porta. Não ouvi um pio, acredito que ela nem
chegou a acordar.
- Escuta aqui, Angélica, não vamos brigar uma hora
dessas, por favor!
- Eu não quero mais saber, Carlos. Não quero mais te
ver assim, na próxima vez que você sair e chegar assim, você não vai entrar. Eu
vou dormir. Você, fica aqui, eu vou pro quarto.
Fiz um sinal de joinha com o dedão esquerdo. Ela
entrou no quarto e eu fui na cozinha. Peguei a garrafa de vodka, deixei minha
carteira e celular em cima da mesa do computador. Em posse da garrafa, sai da casa
e sentei no chão do quintal. Fiquei entretido nos meus pensamentos até pegar no
sono.
No dia seguinte, a garrafa estava vazia e minha cabeça
estava me matando. Eu estava sujo deitado no chão. Eram 11h da manhã. Prometi
que ia parar de beber por um tempo, trinta dias pelo menos. Angélica estava
certa, eu estava exagerando. Naquele momento eu sentia que tinha caído numa
armadilha que seria difícil de sair. Essa promessa durou alguns minutos. Assim
que entrei em casa, Angélica seguia trancada no quarto, assim como Ferrado e
Vanessa. Abri a geladeira pra pegar uma água, bebi direto no gargalo da jarra.
Depois disso, peguei três latinhas de cerveja, minha carteira e sai de casa sem
rumo. Abri a primeira latinha, dei a primeira golada e imediatamente esqueci de
tudo da noite anterior. Aquele domingo seria longo.
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