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Mostrando postagens de junho, 2026

FELIZ DIA DOS PAIS, BABACA! - 08/2016

1. Everaldo trabalhava numa borracharia desde seus quatorze anos de idade. Estava agora com quase quarenta e com sorte tinha completado o ensino fundamental. Sabecomé, teve que trabalhar desde cedo pra ajudar em casa. Tinha seis irmãos e sua mãe não sabia onde tava o pai de nenhum deles. Everaldo não teve a oportunidade de estudar, e por isso ainda tava na mesma borracharia. Burro de carga profissional. A grana não era muita, mas dava pra sustentar a sua família. O ciclo das pessoas pobres se repete em noventa por cento dos casos. E no caso dele, se repetira. Ele tinha quatro filhos, todos da mesma mulher: dona Maria. Ela também não pôde estudar pois teve filhos muito cedo, mas fazia faxinas vez ou outra. Moravam numa favela na zona sul da cidade de São Paulo, onde davam de comer pros filhos com muita dificuldade. O filho mais velho chamava Douglas e tava estudando muito pra com alguma sorte conseguir entrar numa faculdade. Claro que ganhando uma bolsa, ou que fosse numa faculdade pú...

CASULO - 07/2018

tem sempre uma senhorinha com uma lata de cerveja Crystal na mão enquanto dança timidamente perto da Jukebox que quase sempre tá tocando brega homens arruinados mentalmente e espiritualmente ao seu redor esperando que Jesus Cristo volte ou que uma bomba atômica caia (o que vier antes, tá bem vindo)   e nesse bar que eu estava naquele dia tinha isso a senhorinha e os homens destruídos   todos eram apáticos demais haviam cansado de buscar a perfeição e estavam entregues aos constantes erros como se o pecado fosse sua principal motivação pra se manterem vivos e respirando como se quisessem gritar mas não pudessem ou não conseguissem   quanto a mim estava sossegado: cotovelo na mesa uma dose de rabo de galo e um litrão de Skol a minha frente em silêncio enquanto mexia no celular pra me distrair e sempre que alguém se aproximava eu pedia pra dar o fora da minha vida como se eu estivesse num casulo e não quisesse a presença ...

CHUTANDO PEDRINHAS E ESPERANDO O DIA SEGUINTE - 10/2019

A história que relato hoje é 100% real, e busco aqui não fazer uma literatura como costumo fazer, mas me livrar de um sentimento de culpa que carrego por várias coisas que fiz (e o que escreverei aqui é uma delas). Não almejo mais escrever bem ou ter um bom material literário. Já houve uma época em que minha principal preocupação era divertir o leitor, enquanto, é claro, eu me livrava do meu sofrimento. Hoje tenho duas certezas: o leitor é sempre um insaciável, e talvez nunca se divirta de fato e eu não vou me livrar do meu sofrimento, possivelmente nunca. Então, sendo assim, convivo com minhas dores e mágoas e relato através de crônicas exatamente o que sinto, sem exageros ou diminuições. Coloco o som alto mesmo sendo quase meia noite. Aposto que ninguém dá a mínima. Ninguém dá a mínima pra nada. Todos querem que tudo se foda. Essa é a verdade. Se verdades te machucam, recomendo parar por aqui. O que se segue é um relato do sofrimento de um homem viciado em drogas. Enfim. O ...

CRISE DE IDENTIDADE - 01/2019

como se cada coisinha que eu fiz na minha vida fosse um pequeno tijolo pra algo muito maior e muito melhor como se eu estivesse destinado a algum dia ser isso que sou hoje apesar dos trancos e barrancos meu telefone toca e eu não atendo ou digo que estou ocupado como se eu fosse (agora) um cara importante que é requisitado pra festinhas de aniversário dos filhinhos pequenos dos meus melhores amigos que me conheceram há pouco mais de quatro meses e veem em mim alguém de uma generosidade enorme um ser iluminado e com um coração bondoso e amável disposto a fazer o que for pra ajudar o próximo o rapaz do telefone que não pára de tocar nunca e pra piorar a porra toda ainda é conselheiro amoroso dos amigos como se entendesse alguma coisa de mulher rs como se tivesse desbravado por completo esse maravilhoso universo feminino tão complexo e tão fascinante além de ser o principal pilar da sua família toda, financeira e emocionalmente agora Carlos Reis é muito mai...

SÓ!? - 08/2014

Angélica era muito possessiva e ciumenta comigo uma vez me ligou 37 vezes e me mandou 14 mensagens depois me ligou 136 vezes e me mandou 72 mensagens eu nunca retornava, estava ocupado demais bebendo até que um dia ela me ligou uma vez e me mandou uma mensagem nesse dia eu soube que nosso fim estava próximo pois pela primeira vez eu respondi a mensagem dela "Só!? Uma ligação e uma mensagem?" e ela nunca me respondeu

PEQUENA BOBAGEM SOBRE O AMOR #6 – 12/2014

Tenho perdido tempo demais lendo meus textos, releio, mudo frases, escrevo tudo de novo, apago e jogo fora dizem que faz mal ler só as suas merdas seu ego fica grande demais mas estou farto de ler todos os outros os bons, os maus, os alegres, os melancólicos, os que falam de putas ou de fadas os hipócritas e os sinceros   certo...   já é quase uma hora da tarde, faz um sol de rachar em São Paulo e faz tempo que não chove tudo está poluído e minha vida está confusa ok precisava beber uma cerveja, mas iria trabalhar "Um gole não deve me fazer mal Na dúvida masco um chiclete, e ninguém vai perceber" tomei uma no boteco que tem o banheiro sem porta que fica ao lado do meu trabalho (que se foda a porta, ali somos todos amigos) tomei outra e fiquei levemente alterado mas bem o suficiente pra ter senso de realidade Não me importei com o que meu chefe fosse falar na dúvida, falo qualquer bobagem bonita e engraçada pra ele (bobagens ...

REJEIÇÃO - 05/2014

"não fique assim tão mal por esse chute, meu amigo" ele me telefonou naquele sábado querendo saber se eu estava bem "ok" eu disse "já estou acostumado com essa merda mesmo. Isso acontece há anos" e prossegui bebendo vodca bem tranquilo como se nada tivesse acontecido "tudo bem, só se controle. Seu estado não é dos melhores" "pode ficar tranquilo" eu disse, enquanto dava outra golada "só preciso de uns dois ou três dias para ser eu mesmo. Depois disso vou diminuir" desliguei o telefone pensando no meu egoísmo, e o quanto ele era necessário para suportar mais aquele fracasso e bebi por exatos dois dias seguidos, sem pensar em nada, nem em pessoas, nem no frio que estava fazendo no terceiro dia acordei me sentindo muito bem, tão bem e feliz que até saí de casa e conversei com as pessoas na rua, as balconistas e os cobradores de ônibus inclusive almocei um prato decente de comida, enquanto tomava uma cervej...