4 LATINHAS DE CERVEJA E 2 GARRAFAS DE VODKA – 02/2015
E naquele dia chuvoso acordei por volta das 4h30 da manhã, sem nada alcoólico na geladeira
Aguardei um tempo, para que a sobriedade e a sanidade viessem. Sem sucesso
E por volta das 5h50 eu saí, estava tudo escuro e chuvoso e, eu poderia dizer que o clima era o reflexo do meu estado de espírito
Achei que o mercado abriria exatamente às 6h, o que de fato não aconteceu
Em frente ao mercado havia um boteco sujo, e pessoas tomavam cafés pretos e comiam pedaços de bolos de fubá
Sentei no balcão, coloquei as mãos sobre o tampo de granito, limpo da noite anterior"Me dá uma dose da sua vodka nacional, por favor"
Pedi à garçonete (simpática, aliás)
"Desculpe, só servimos bebida alcoólica a partir das 9h da manhã"
" Tudo bem" eu disse e sai. Fui em direção a um posto, buscava cervejas e
no caminho avistei pessoas dentro de carros indo para seus odiosos trabalhos, possivelmente reclamando da chuva e do frio daquela manhã
E pensei que ao menos eu não havia me submetido à repreensão dos idiotas, e que eu ainda tinha um pouco de liberdade
No posto eu vi dois carros. Um deles com um cara solteiro e outro com uma família, cujo filho maior apontava pra mim, como se perguntasse "Porque aquele moço está bebendo antes que eu entre na escola?"
e os pais respondiam "Ele é alcoólatra, ou teve um dia ruim"
vou ficar com alcoólatra, pois meu dia não foi ruim. Foi simplesmente comum, na essência da palavra prazer
Levei 4 cervejas de lata, em uma sacola velha de um mercado falido
no caminho abri a primeira lata e passei por cinco cachorros doentes e molhados e fedidos e
nenhum deles latiu pra mim
O mercado havia aberto, deixei as cervejas no guarda-volumes. Entrei e peguei duas vodkas por 6,50 cada
precisava de tempero pra frango e, no caminho achei uma vodka por 5 pratas
garrafa de plástico, mas serviria por hoje. Peguei duas garrafas. Deixei as vodkas caras na prateleira
Paguei e pensei que, apesar de duro, era necessário gastar aquele dinheiro, só no dia de hoje
Não me vi em questionamentos quando abri a segunda lata, e a terceira... e a quarta. E a vodka.
ninguém morre
Ao menos agora eu posso escrever e beber (contos e poemas e cervejas e vodkas)
e enquanto eu puder fazer isso, vou conseguir superar as boas e as más notícias
tais como:
traição, chutes, debatedores de política, idealizadores de sonhos baratos, manifestantes das tarifas do transportes públicos e os protestos inúteis da Copa
Atinja o chão, meu final vai ser mais brilhante do que a chuva que caiu nesse dia
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