AMADURECER, FICAR SOZINHO E MUDAR O MUNDO – 07/2018
Não tenho tido mais tanta vontade e muito menos paciência
pra me dedicar à minha real paixão desde a minha adolescência (as teclas, os
textos e essa porra toda de "literatura", se podemos chamar disso as
merdas que escrevo), e que me salvou tantas vezes de tantos buracos escuros
demais para que eu fique agora remoendo eles. Não que eu não goste de remoer o
passado (eu adoro), mas me faço de forte e evito. Cutucar merda velha sempre
vai fazer subir mal cheiro.
A questão principal é que agora eu tenho 28 e não dá mais
pra viver como uma criança, a vida cobra caro, eu tenho que pagar contas,
trabalhar pra caralho, cuidar da manutenção do carro, limpar a casa sozinho,
arrumar uma namorada e ser um bom namorado, tentar dormir 8h por noite e ser um
cidadão exemplar, pagando meus impostos pra poder passar tranquilamente numa
blitz da polícia militar.
Sinto muitas dores nas costas ainda, pode ser estresse ou
algo crônico.
Instabilidade emocional ainda é comum, independente de
idade. Não é mais como era antigamente, aquele drama todo, aquele caos, é algo
mais interno, é como ir abastecendo lentamente um grande copo sem previsão de
que vá chegar na borda e derramar tudo.
Hoje a minha tristeza é previsível, e cada vez mais sutil e
escondida de todos os outros.
Acredito que isso faça parte de "ser adulto".
Muitas pessoas têm dificuldade para amadurecer, e isso
acontece porque o ser humano detesta mudança, se depender dele, vivemos todos
numa zona de conforto do caralho esperando que as coisas se resolvam e
aconteçam do dia pra noite, e cá entre nós, nunca foi assim e nunca será.
Utopia é uma palavra pouco usada, mas muito presente.
Se você não a conhece, use um dicionário, ou o Google, ou o
Bing, ou o Yahoo respostas.
Hoje trabalhei pra caralho, cheguei em casa cansado e me
deparei com ela completamente vazia. O que é bom pra mim, porque como já disse
várias vezes, a solidão me cumprimenta como uma velha amiga. Ela me abraça, me
dá um beijo no rosto e diz que vai tudo ficar bem. E isso me conforta há alguns
anos.
Tive que fazer janta e limpar a casa. Sentei em frente ao
computador e reparei que minha barriga está crescendo de uma forma
completamente imperceptível e sutil, mas está crescendo, e por isso desisti de
comer o Doritos que tenho escondido no meu armário. Escondido de ninguém,
porque como eu disse, estou sozinho.
Na real, estamos todos sozinhos, não é verdade?
Relacionamentos são extremamente complicados, e por isso
prefiro ficar sozinho.
Mas agora eu tô dando a chance pra mim mesmo e pra uma
garota e estamos vendo o que vai rolar, um dia de cada vez, sem pressa.
Meu alcoolismo me persegue mesmo dois anos depois que
comecei a tratar dele.
Hoje peguei uma latinha de cerveja na mão e abri e entreguei
pra uma pessoa que estava tomando o último porre antes de parar de beber.
Aquele estralar da latinha abrindo soa como uma música melhor do que Dark Side
of The Moon do Floyd tocado por 24h seguidas. Bateu sentimento sim, e por isso
estou aqui escrevendo. Não só por isso.
Vamos lá.
É muito triste eu ver que meu último texto foi escrito há
mais de 20 dias atrás, porque pra falar a verdade, isso daqui foi a única coisa
que nunca desisti, e a única coisa que eu tenho algum talento pra fazer, que
posso afirmar de boca cheia que tenho algum potencial. Eu sei usar as palavras
pra qualquer coisa que eu precise, e os textos, ainda mais. Até por isso me dou
bem no Zap Zap com todos os tipos de pessoas. Parar de escrever é pra mim, como
parar de respirar. É como se eu estivesse aos poucos morrendo. E não quero que
tudo acabe desse jeito. Não tenho sonhos ou planos de ser publicado e acordar
sempre depois do meio dia pois fico escrevendo de madrugada, também não almejo
ir pra Portugal autografar livros enquanto me sento numa poltrona cruzando as
minhas pernas parecendo um grande intelectual. Eu não sou esse cara.
Tudo o que eu quero é escrever com certa regularidade e me
sentir bem comigo mesmo. Porque a hora em que escrevo é a hora que me sinto
mais a vontade no mundo. Mesmo que ultimamente tenham sido textos tão meia
bocas quanto esse que estou prestes a encerrar.
Em algum dia, em algum lugar, em algum momento único, alguém
vai ler essa merda e se enxergar em uma ou duas passagens que parecem ter algum
sentido, e isso pode de fato mudar alguma coisa praquela pessoa. E talvez seja
esse o verdadeiro sentido da expressão "mudar o mundo". Não
necessariamente O MUNDO TODO, mas o mundo de uma pessoa.
Essa talvez seja a verdadeira meta de todo desgraçado que se
arrisca nessas teclas. Talvez seja a minha.
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