SÁBADO – 11/2018
como um sono que não passa e um cansaço que parece
interminável
como um pássaro numa gaiola de pensamentos e tomado por si
mesmo
vejam só
as pessoas estão lá fora
bebendo
ouvindo péssimas músicas
e transando
em lugares fechados e com aroma de futilidade
e possivelmente vão pegar seus ubers e seus 99 táxis
voltar pra casa sem lembrar exatamente como
e se arrepender de tudo isso
amanhã
mas não há problema
Deus disse que há tempo pra tudo em Eclesiastes 3
e durante o tempo do homem na Terra
tudo é quase do mesmo jeito em milênios
e o que nem todos percebem é o simples vazio de um homem
sozinho
que não necessariamente precisa se encaixar com o mundo
mas que precisa se encontrar dentro de si mesmo
enquanto todos estão lá fora querendo justamente o
contrário:
ficar perdidos
e, pelo amor que tenho pelos meus discos favoritos,
posso jurar que eles não estão errados
(uma vez que é isso que fiz por anos e é isso que recomendo
a todos até hoje)
esse é só um breve relato de um homem que odeia os sábados
porque sempre se lembra de coisas que não queria fazer
mas que o salvava de um (possível) suicídio
ouvir Sinatra enquanto toma uma garrafa de vodka da mais
barata
completamente sozinho
e trancado no quarto com as luzes apagadas
bebendo no escuro esperando a tristeza passar
enquanto o barulho das goladas saindo pela garrafa e
passando pelos lábios ainda é muito real
enquanto o gosto da vodka rasgando a garganta ainda é muito
real
enquanto a voz de Sinatra rasgando seus ouvidos, isso ainda
mais, é muito real
culpando Deus, seus pais e a si mesmo pelos seus insucessos
que não foram poucos
e não que isso vá resolver alguma coisa
pois de fato, nada vai melhorar pelo simples fato de ele
escrever um texto
péssimo como sempre
mas de alguma maneira isso o liberta do sofrimento que ele
mesmo causou
a si
e talvez ele tenha forças pra sobreviver
por mais um maldito dia
e sobreviver é a maior vitória que alguém pode ter
num mundo dominado pela
tristeza
pela dor
e pelo sentimento de solidão
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