BOBAGEM DE UM SÁBADO – 03/2015
estava tentando rechear meus fins de semana com mulheres
mulheres diferentes
"pela tarde, Andreia, a noite, Cecília, e no domingo,
Clarisse"
talvez eu precisasse começar a rechear meus fins de semana
comigo mesmo
nunca use pessoas de alicerce
você vai fatalmente
perecer
tudo começou bem
Andreia foi em casa pela tarde
comemos, batemos papo, ensinei ela algumas coisas de
matemática
transamos três vezes
eu não sabia explicar as regras de juros compostos
mas sabia dar a ela orgasmos múltiplos
e foi isso que eu dei
(percebi o cansaço nela e também em mim
"ao menos essa só suga minha energia sexual
e não minha alma", pensei, relembrando de Carlinha)
foi bem legal, eu estava destruído e pensando em Cecília
"não acredito que você vai arrastar outra pro seu
quarto
seu machista!"
Andreia disse, rindo e me batendo no ombro
eu ri e disse "sou aquele que não vai casar
sou a diversão, sou a aventura... sou aquilo que nenhum
marido vai ser"
ela foi embora, e Cecília não pôde aparecer
e eu estava cansado, de uma certa forma, eu não poderia dar
meu melhor
foi bom
algumas vezes é melhor ter aquilo que planejamos
mas algumas vezes, planejamos mal, e o destino acaba nos
ajudando
passei no mercado, peguei umas cervejas
(super de leve)
liguei o som e fiquei ali, sentado na minha poltrona, me
embriagando
(repito, super de leve)
e dando conselhos a um moleque de 16 anos
que estava apaixonado
"talvez o melhor conselho que eu possa lhe dar é:
não se apaixone", pensei, mas isso seria amargo demais
(até pra mim)
ainda resta uma esperança num fim de latinha de cerveja
pessoas ainda vão cruzar as pontes
o tempo é a distância que vai me fazer tomar um rumo
precisava tirar algumas pessoas da minha vida
e trazer outras
e manter quase nenhuma
"tem uma luz através dessa janela", uma velha
canção tocava
golei a cerveja, sou um homem de sorte
e nada vai me fazer não acreditar nisso
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