CASULO - 07/2018
tem sempre uma senhorinha com uma lata de cerveja Crystal na
mão
enquanto dança timidamente perto da Jukebox
que quase sempre tá tocando brega
homens arruinados mentalmente e espiritualmente ao seu redor
esperando que Jesus Cristo volte
ou que uma bomba atômica caia
(o que vier antes, tá bem vindo)
e nesse bar que eu estava naquele dia
tinha isso
a senhorinha e os homens destruídos
todos eram apáticos demais
haviam cansado de buscar a perfeição
e estavam entregues aos constantes erros
como se o pecado fosse sua principal motivação
pra se manterem vivos e respirando
como se quisessem gritar mas não pudessem
ou não conseguissem
quanto a mim estava sossegado:
cotovelo na mesa
uma dose de rabo de galo e um litrão de Skol
a minha frente
em silêncio enquanto mexia no celular pra me distrair
e sempre que alguém se aproximava eu pedia pra dar o fora da
minha vida
como se eu estivesse num casulo
e não quisesse a presença de ninguém
dentro dele
e os tempos que eu permanecesse ali dentro
seriam os melhores
da minha vida
pois ali dentro não havia dor
responsabilidades
apatia
ou tentativa de conciliação
com ninguém
e estar com ninguém era sempre melhor
do que estar
acompanhado
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